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Buraka Som Sistema – Buffalo Stance

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METZ

ACETATE (NOT THE VIDEO)

THE SWIMMER

Toda vez que escuto uma música e ela tem algo de incrível, sejam riffs, letras, a sonoridade ou a novidade por trás do som, me dá arrepio, vontade de chorar, aquela inquietação que você sente quando é adolescente. É exatamente esse sentimento que tive quando conheci a Metz.

Desde esse dia, fui atrás de material da banda, história e conhecer mais sobre eles. O que não me surpreendeu foi eles serem uma cria da SubPop, selo independente de Seattle já mundialmente famoso por ter lançado o Nirvana.  Já li matérias falando que o Metz foi a banda responsável por colocar a SubPop de volta nos trilhos que a fizeram ter a fama de descobrir grandes talentos do underground. É sempre bom lembrar que ela também foi a responsável por lançar a CSS (Cansei de Ser Sexy), no mercado gringo e no circuito de festivais internacionais.

Nessa mistura do som da Metz você vai encontrar distorção, muita sujeira, efeitos na voz, no baixo e que só reforçam o que a banda tem de melhor, aquela agonia sonora que te dá arrepios quando você escuta os primeiros riffs e te faz levantar da cadeira. Se eu fosse te indicar uma banda pra você escutar durante aquela tua caminhada matinal, com certeza seria a Metz. Seu dia começará melhor e teu chefe vai te agradecer pela produtividade desse dia.

O que me surpreendeu um pouco foi saber que eles são do Canadá, mais precisamente de Toronto. Mais uma feliz descoberta de excelente banda canadense. Nos links acima postei 2 clipes do mais recente (lançado mês passado) e aqui embaixo tem 2 clipes do primeiro álbum e um video de um show deles no Nrmal Festival no México.

WET BLANKET (OFFICIAL VIDEO)

WASTED (OFFICIAL VIDEO)

NRMAL FESTIVAL, México, 28 de fevereiro de 2015

‘Angola’, um curta-metragem sobre as cores e ritmos de Luanda

As cores e ritmos de Luanda, capital angolana, saltam aos olhos e ouvidos do espectador no mini-documentário “Angola”. Dirigido pelo músico Silva, em parceria com Angelo Silva e William Sossai, o filme traz registros feitos no país africano no final de 2013.

O músico capixaba se deslocou até Angola por conta da música, “Volta”, inspirada em ritmos afros, presente no seu segundo álbum, “Vista pro Mar”. As imagens feitas no país renderam um videoclipe e o documentário em questão.

Em vez de fome, tristeza ou calamidade, o curta-metragem ressalta a simpatia dos angolanos e sua intimidade com a dança, mais especificamente com o kuduro, “cultura que não é ensinada em escolas, se aprende na rua com os amigos, dançando nas festas”,  como escreve o músico.

Com pouco mais de 5 minutos, o curta-metragem é narrado pelo próprio Silva. “Se você olhar do jeito certo, fica claro o potencial e a força desse povo”, declara.

Assista ao documentário a seguir:

Assista ao videoclipe:

Originalmente no https://culturaemcasa.catracalivre.com.br/online/angola-um-curta-metragem-sobre-as-cores-e-ritmos-de-luanda/

Mastodon e Clutch

Não me lembro exatamente a data ou o ano, mas houve uma época em que eu comprava com bastante frequência a Kerrang! estava estudando inglês e queria melhorar a compreensão do idioma através da leitura, e como já escutava muitas bandas gringas, nada mais natural que buscar conhecer novos sons diretamente de uma das principais revistas da época. A revista era bastante cara por ser importada e não lembro a razão mas o jornaleiro só comprava de 2 em 2 meses, mas justamente por esse motivo eu escolhia a dedo a edição que iria comprar, normalmente procurava alguma que viesse com alguma coletânea. E foi em uma Kerrang! que conheci o Clutch, não era capa, mas um daqueles destaques de capa, mas estava lá me chamou a atenção e fui conhecer o som deles, e nessa época eu estava escutando bandas mais pesadas, com preferência pelo Thrash Metal, mas escutava bastante Alternative Metal, Hard Rock e Classic Rock. Nessa época nem existia o termo Stoner Rock e eles não se encaixavam em um estilo determinado, eram uma banda de rock com influências de blues mas com riffs de peso.

Mas voltando para o ano de 2015, uma grata surpresa foi saber que eles tinham lançado material novo e estavam em tour junto com o Mastodon, melhor ainda, eles iriam tocar na sua cidade. Equação perfeita para uma noite de domingo, ver o show de uma banda que fez parte do repertório da sua formação musical e assistir ao vivo uma banda que você está curioso pra conhecer ainda mais.

O show da Clutch foi incrível, energia bacana entre banda e público, mas nada de muita conversa e paradas para interações, o lance era uma música atrás da outra, e pontuais agradecimentos e pausas antes dos hits, a maior parte do Blast Tyrant e por incrível que pareça eu não era o único saudoso, muita gente foi ao show apenas para ver o Clutch, deu pra notar isso no intervalo entre o show deles e o da Mastodon.

O show da Mastodon foi muito, muito bom, enfim, se você conhece o som deles mais do que eu vai entender o que estou falando. Peso e virtuosismo poder sim fazer parte de um mesmo show de uma banda de Heavy Metal ou seria Progressive Metal? Não sei se foram os efeitos visuais das luzes, mas colocou todos em transe com  solos longos e alternância entre músicas mais pesadas e outras mais densas mas sem se perderem no meio do caminho. Show incrível do começo ao fim. E sim, a iluminação faz muita diferença no show deles.

No final do show o baterista assumiu o microfone agradeceu a todos, falou sobre a tour, sobre estar viajando junto com a Clutch, agradeceu a todos que sairam de casa em um domingo a noite para assistir ao show, compraram cds, camisas e material de divulgação das bandas. Pra mim isso fez eu ainda ter mais respeito por eles, em tempos onde bandas e artistas exageram no estrelismo, você estar perto do seu público fala muito sobre o tipo de fã que você quer ter.

De Angola para o Mundo

Texto da Aline Frazão, publicado no site Rede Angola.

Vi cartazes do I Love Kuduro até nos autocarros da Carris. O documentário, que pretende contar a história do Kuduro, de Angola para o mundo, desde os anos 90 até hoje, estreou na semana passada em Portugal. Vi o I Love Kuduro numa pequena sala dos cinemas do Colombo – antiga capital de Angola em Lisboa, hoje destronada pela Avenida da Liberdade.

Saí da sala de cinema com sentimentos contraditórios. Não há dúvida que o filme reproduz algumas das principais características do Kuduro e da nossa sociedade. O humor e a loucura, o caos e a irreverência, o star system e a ambição, a busca de uma identidade, a importância da imagem, a fome de fama e as contradições do Museke como epicentro da falta de tudo, menos de criatividade.

O Kuduro tem boas estórias. É impossível não rir ao ouvir falar o Presidente Gasolina ou o Príncipe Ouro Negro. É impossível não admirar o Hochi Fu, produtor visionário de inspiração norte-americana, que ajudou a transformar o “Ninguém” na superstar Cabo Snoop. Um dos episódios mais interessantes é o dos dançarinos da velha guarda, que explicam em detalhe o estado de transe em que entram enquanto dançam. Sob o efeito da batida e da adrenalina, sentem que ganham poderes especiais. Podem subir paredes ou até mesmo voar. Um deles explica essa vertente meio clown do kuduro, essa vontade de fazer o outro rir e usar o riso como remédio para as malambas da vida.

Mais do que a repetida discussão sobre quem foi que inventou o Kuduro, não se pode compreender este estilo de dança e de música, hoje, sem falar dos Lambas e do Nagrelha, também conhecido como “Estado Maior”. Não se pode entender o Kuduro sem conhecer o trajecto da carismática Titica, “la nouvelle étoile du kuduro angolais”. Todos estes personagens excêntricos, polémicos, irreverentes, são – queiramos ou não – os protagonistas do Kuduro e da cultura popular urbana do país.

No entanto,  notámos algumas ausências de peso, ausências que fazem do filme parcial e incompleto. Em primeiro lugar, o documentário não destaca nenhuma kudurista mulher, além da Titica. Não será por haver poucas mulheres no Kuduro. Na verdade, há cada vez mais. Algumas até bastante famosas. No filme sente-se a falta de mais pontos de vista femininos. Essa é, para mim, uma das grandes falhas do documentário.

Fica também de fora Sacerdote, alma mater da produtora Circuito Fechado, ponto de referência incontornável do Kuduro nacional. Sacerdote rima de boca cheia e com conteúdo. Além disso, foi mais longe e criou condições para que outros jovens como ele pudessem gravar e lançar as suas músicas, através do projecto Circuito Fechado.

Quem também quase passa desapercebido no filme é o popular Bruno M., o “kudurista intelectual”, que foi considerado o melhor do ano em 2012 pelo Angola Music Awards. Bruno M. usa o Kuduro como arma de intervenção social através das suas poderosas letras e do seu olhar crítico. Em “I Love Kuduro” teve direito a uns míseros 30 segundos no episódio dedicado ao Presidente Gasolina e Príncipe Ouro Negro.

ILoveKuduro_doc

I Love Kuduro vem reforçar essa ideia de autenticidade (irrefutável) que o Kuduro tem. O Kuduro é nosso, é de Angola para o mundo. Mas o Kuduro, ao mesmo tempo que é um impressionante espectáculo de entretenimento, uma performance explosiva, uma força da natureza, também consegue ser, por vezes, um terreno escorregadio, limitador, vazio. Angolano às vezes dança para esquecer. Ri por não querer chorar. Inventa um novo coro para matar as horas difíceis. Mas quando a batida acaba, a vida, essa, continua lá.

Angola é Kuduro mas não só. É a terra do semba, da kizomba, da rebita, da trova chorada, da kilapanga e da tchianda.  Como canta o Paulo, “nada contra o Kuduro”. Certo é que seremos aquilo que decidirmos ser.

Original aqui: http://www.redeangola.info/opiniao/de-angola-para-o-mundo

A página oficial da Aline Frazão.

Site da Rede Angola, lá você encontra muita informação bacana.

Fucked Up

A Fucked Up é uma banda de hardcore de Toronto, digo hardcore porque é assim que eles se definem, mas numa escutada rápida você já pega várias influências que vão desde punk, passando por grunge (se é que ainda dá pra definirmos uma banda assim) e shoegaze.

A essas alturas, você pode já conhecer a banda, ela participou de um festival da Converse em São Paulo. Na verdade foi pesquisando o lineup do festival que cheguei até eles e infelizmente não pude ver o show no momento, mas fiquei muito empolgado pra sacar esse noise ao vivo.

Eu não conhecia, mas gostei muito do som e fiquei muito curioso pra sacar como eles são no palco.

Já descobri que eles farão um show aqui em Edmonton em um pub que já passei em frente algumas vezes mas nunca fui, essa vai ser uma ótima oportunidade de conhecer o pub e a Fucked Up ao vivo.

Quer conhecer mais do trabalho deles, vai no site que tem bastante coisa. >>>>> http://fuckedup.cc/home/

O show deles será no The Pawn Shop que fica na Whyte Ave, 10551.

O site do pub? Tá aí também. http://pawnshoplive.ca

Passinho: a mistura do funk carioca com Kuduro de Angola

Angola Kuduro
Angola Kuduro

 

 

Assista e compare.

 

 

Um novo jeito de dançar o funk nasceu nas comunidades do Rio de Janeiro. É o “Passinho”, uma dança cheia de energia e influências, sobretudo, do Kuduro. Dez anos antes de o passinho emergir nas comunidades pobres do Rio de Janeiro, o Kuduro surgia em Luanda.

Os dois ritmos são uma colagem de batidas negras. No caso da dança carioca, é uma mistura de funk, frevo, break, samba e, também, Kuduro. “A paixão dos jovens da periferia do Rio pela cultura do passinho é muito similar à que Angola tem pelo Kuduro”, diz Emílio Domingos, diretor do documentário “A Batalha do Passinho” (2013).

O movimento musical ganhou projeção fora das favelas do Rio no final da década de 2000, quando os dançarinos começaram a fazer sucesso no Youtube. A partir daí, foram organizadas competições com duelos entre os bailarinos. “O passinho é o resultado de uma mistura. O funk se modificou com o surgimento do tamborzão, que tem uma batida mais acelerada. Foram incorporados o atabaque, percussão brasileira, música de umbanda e candomblé”, conta.

O passinho não tem a mesma sensualidade do funk carioca. “Quando o funk começou, como ‘proibidão’, era quase um filme pornográfico. O passinho é mais uma brincadeira”, diz o realizador do filme “I Love Kuduro”, Mario Patrocínio.

Quando surgiu, a função da dança era chamar a atenção das mulheres nos bailes funk. O passinho é dançado majoritariamente por meninos. “A mulherada gosta de quem tem poder e se destaca. Os rapazes chamam a atenção quando dançam”, afirma a dançarina Leandra Perfects no documentário “A Batalha do Passinho”.

 

Originalmente aqui: http://hojetem.net/hojetemv3/2013/11/18/passinho-a-mistura-do-funk-carioca-com-kuduro-de-angola

Um novo olhar.

Cercas e arame farpado
Cercas e arame farpado
Angola Kuduro
Angola Kuduro
Candongas
Candongas
à beira da estrada
à beira da estrada

Eu sei que demorei bastante pra escrever outro post, mas tudo isso tem uma explicação, as coisas por aqui estão bastante corridas e o tempo livre acabou sendo melhor utilizado para outras atividades como falar com a namorada, ir a praia e conhecer um pouco melhor Luanda.

Mas não posso dizer que esse atraso tenha sido ruim, muito pelo contrario, me fez já saber exatamente sobre o que escrever.

Já completei 3 meses morando e vivendo aqui em Luanda e nesse tempo pude viver um pouco do dia-a-dia dessa cidade. Quando digo viver falo na essência poética da palavra, porque muitos que vem trabalhar aqui moram em Luanda Sul, o que eh praticamente uma cidade completamente fora da realidade local. Antes que alguém pense que aqui eh uma imensa favela em guerra e Luanda sul eh uma fortaleza cercada de luxo e policiais armados na rua digo que basicamente a cidade esta crescendo de uma forma absurda e foi por la que as coisas surgiram de forma mais ordenada e mais pensadas em quem iria morar la, ou seja, estrangeiros.

Uma visão que de certa forma eh compartilhada com todos aqui da empresa eh que aqui nos temos uma visão e uma vida mais próxima do que realmente eh morar em Angola. Não estou falando de você passar por todo tipo de problema que os angolanos tenham passado ou passem, mas eh apenas de se ter uma visão da vida de dentro dela e não em uma cidade projetada para nos estrangeiros morarmos, um bairro que tem cara de primeiro mundo, com ruas largas e casarões cercados de cercas elétricas e todo o tipo de parafernália de segurança.

Um dia conversando conversando no carro no habitual transito terrível daqui indo de casa para o shopping, um ponto de vista de quem morou em um desses condomínios foi que morando mesmo cercado da total comodidade dentro da sua casa, vc vive praticamente como uma senzala branca, onde vc so sai para trabalhar e volta para dormir. Onde toda e qualquer coisa que você precise fazer fora do condomínio, seja ela a mais simples possível como ir na padaria comprar pão, você não consegue fazer sem um carro e que perca pelo menos 30 minutos da sua rotina diária.

Sabe aquela coisa simples que você você faz no Brasil como sair de casa e descer a rua para comprar pão na padaria que fica a dois ou três quarteirões da tua casa? Ou você sair de casa apenas para comer um sanduiche ou tomar um sorvete na sorveteria ao lado de casa? E conversar com aqueles senhores de idade que ficam jogando domino ou conversando sobre as mudanças na vida desde que saíram da adolescência?

Nada disso você poderá fazer simplesmente porque todos ficam enclausurados em suas casas vivendo numa outra realidade em um outro pais mas que so lembram que estão fora do Brasil na hora de reclamar do transito caótico ou pra reclamar que aqui ninguém trabalha. Coisa que existe da mesma forma no Brasil e muitos desses que reclamam aqui, vivem exatamente a mesma situação la.

Posso falar fácil que uma das melhores situações que me aconteceram aqui foi um dia ter saído tarde da noite pra comprar cerveja numa ruazinha aqui atrás de casa e enquanto esperávamos a senhora que nos vendeu as cervejas ia na casa dela pegar a mercadoria ficamos conversando e rindo com as piadas e as brincadeiras que três senhoras que também trabalham no mesmo local.

Tem coisa mais legal que você parar pra conversar com um senhor de idade que esta la sentado trabalhando e praticamente esperando você perguntar algo pra ele começar a falar emocionado sobre como a vida dele eh digna e cheia de historias? Foi assim que aconteceu uma vez que eu cansado de ficar em casa, sai pra dar uma volta e olhar as pessoas na rua. Fui pedir uma informação pra um senhor e ele reconheceu o sotaque de brasileiro e começou a falar sobre a vida dele e como gostava dos brasileiros por ajudarem a construir essa nova Angola que ele esta vivendo. Bom, esse senhor nunca conheceu o Brasil, mas trabalhou em uma empresa que tinha brasileiros trabalhando junto com ele e mostrou-se bastante orgulhoso de mostrar essa satisfação e ao contrario do que muitos brasileiros que chegam e acham que o pais eh nosso, esse senhor assim como outros angolanos que conheci e conversei fizeram questão de falar que a gente eh bem-vindo aqui. Nas entrelinhas o que ele quis dizer eh que o pais eh nosso não se esqueça disso.